Viseu – onde eu cresceu

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Estes dias rumei à Cidade que me viu crescer. Para estar com os meus e para desligar da minha vida diária e respectivas idiossincrasias. Encontrei alguns velhos amigos, fiz o meu programa de eleição que é estar em casa com as pernas cobertas pela camilha, numa mesa onde por baixo reside a minha inestimável braseira, a jogar jogos de tabuleiro e a beber um copo. Convenci a minha Mãe a abrirmos um champagne para os dois, e o meu amigo italiano encarregou-se de trazer o Genial, um jogo de estratégia no qual eu teimo em ganhar numa fase inicial e perder tudo com o avançar do tempo. Quase como na minha vida particular. Deve ser defeito de fabrico. Meu, claro. 


Pelo caminho fiz uma visita à rádio jornal do centro e três tatuagens. Sinto-me sempre puto quando regresso e quase sempre sinto falta dessa sensação quando me despeço. 


Fui ao Irish, o bar onde comecei a desenhar e a escrever compulsivamente durante as tardes em que estava dispensado das aulas. Encontrei o meu amigo Tiago que continua bonito e perguntei pela esposa Raquel, das pessoas mais carismáticas e definitivamente bem vestidas da cidade. Também me esbarrei na Carlinha, que entretanto já emigrou mas não se aguentou sem voltar para cá, porque há quem seja feliz onde cresceu. 



O Rossio continua um portento e acabei por ser abordado carinhosamente por alguns transeuntes que agora se recordavam mais claramente da minha existência por consequência de estar integrado num formato televisivo com emissão em horário nobre. 


O por do sol foi comovente e instigou-me a voltar mais vezes. Não fosse a preguiça de fazer esta viagem. 


Foi assim em Viseu, onde eu cresceu. Sim, foi de propósito. 

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