Tony Tony – Gala XII

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Olá meus amigos da net. 

Estamos a chegar à conclusão desta aventura alucinante que tem sido voltar à ribalta generalizada, expondo-me aos mais variados olhares que de outra forma já mal se lembrariam da minha parca existência. 

Para vocês foi na semana passada, mas para mim foi ainda ontem que gravei o meu Lenny Kravitz. Pois é. Poucos imaginam o quão alucinante e cansativa foi esta semana. Na terça estaríamos a actuar na gala de Natal da TVI, na quarta gravámos a décima primeira gala e hoje, quinta-feira, estaríamos a gravar a semi-final do seu programa de sábado a noiteeeeee. 

O cansaço e a pressão começavam a dar de si e confesso que ao contrário do dia anterior hoje me sentia profundamente exausto e inseguro. Tony Braxton. Mas quem é que se foi lembrar desta maluca de voz titânica para me porem a travestir de novo ao fim de uma semana destas? 

Começam a ser dias a mais seguidos para estar sempre impecavelmente vestido e portanto hoje fui ao armário revisitar uns clássicos. 


Vesti a minha peça de vestuário favorita desde sempre. Uma camisa Julio Torcato com a qual actuei na passarelle do Portugal Fashion algures em 2007 e que até hoje me ficou. Pedi à Luzia que me fizesse este penteado que me seduz e que a minha mãe abomina e calcei a minha bota dourada que poucos amigos apreciam. Who cares? Eu nasci exótico e já lá vai o tempo em que o renegava. Não gosta não olha. 

Os ensaios decorreram pacificamente mas a exigência do tema e o meu cansaço vocal faziam-me preocupar. Tenho dificuldade em explicar que a voz não é um instrumento como os demais que se pode ligar à corrente e funciona. Estes dias tendem a começar pelas oito de matina e habitualmente chego a casa perto das duas. Não, não sou a Madonna, não tenho uma conta milionária, nem a minha vida é feita do glamour que se adivinha nas mentes mais populares. Para fazermos uma boa actuação, tecnicamente falando, é preciso descanso e bem estar físico. Para fazermos uma actuação memorável é preciso alma além dos factores anteriores. Para isso é preciso vontade e motivação. A segunda nao existia e a primeira já vira melhores dias. 


Raptei a Xana para uma peligrafia e fui terminar a caracterização com a minha Lília, com a clara sensação de que este percurso estaria a terminar. Brindámos ao afecto que daqui levamos. Há pessoas que de facto nos ficam além do espectro laboral e ainda bem que assim é. 


O facto é que me senti uma diva. Maquilhada e mimada por todo o lado. O carinho destas pessoas suaviza profundamente a dureza do processo e há que confessar que ainda nos rimos bastante pelo caminho. 


A Luzia tratou-me da piruca e embora seja a mais reservada das pessoas que povoam a sala de caracterização eu consegui estabelecer uma relação com ela. Confesso que me orgulho de me dar ao trabalho de chegar às pessoas menos óbvias. É tipo o Sonic a coleccionar aneis. Não gosto que me falhe nenhum. 


Estava tudo montado para aquela que quanto a mim, na generalidade, foi a melhor gala até à data. A Marta teve, quanto a mim, a sua melhor actuação, surpreendendo numa Patti Labelle que lhe arrancou uma rouquidão que jamais lhe imaginei. O Mourato mereceu a vitória, tendo quanto a mim a melhor imitação da temporada. A Maria…não tenho palavras. It’s fucking Bjork people. É inimitável e ela fez o que não imaginei ser possível fazer. 

O David rapou o cabelo em mais um acto de coragem que revela bem a sua ambição em relação à estrada. Se mais longe não chegar, nunca será por falta de vontade. 


Achei graça pelo número de vezes que ouvi que este seria o meu melhor travesti. Deverei eu mudar de etnia? Tipo Michael Jackson ao contrário? Parece que a coisa resulta. Até a minha melhor amiga me diz que me dava uma trinca se eu fosse preto! 


Pelo caminho eu e o Rossi achamos prudente criar uma dupla sertaneja de Fado/Soul. O visual está lá. 

Venceu quem merecia, grato fiquei por ter oportunidade de estar na final e sim, chorei num processo de despressurização e também porque o meu coração ainda não sarou completamente de uma perda consequente de uma culpa que sei ser só minha. A música tende a remeter-nos a sítios que tantas vezes nos doem e aí reside a nossa terapia. Serei eu masoquista? 

Nãã… 


Fui desmaquilhado como diva que sou pelas minhas duas brasas favoritas e ainda me abracei à minha Fátima com aquela nostalgia de saber que isto está mesmo a acabar. Nem sempre sei se quero. 


Para a semana é para a semana. O que vos posso prometer é que naquele palco deixo parte de mim. 

Para quem quiser apanhar. 

P.S – Esta semana não há vídeo. Desculpem. Houve tantas outras coisas. 

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