Terapia da realidade

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Há uns dias atrás visitei o site de uma clínica de desintoxicação. Era algo que me intrigava. Então, fui ao GOOGLE e busquei. Logo que entrei no dito site, deparei-me com um rol de “passos” pelo os quais os “internados” passam. Um desses passos inspirou o título deste texto. Não faço ideia se a minha interpretação tem alguma coisa a ver com aquilo que lá praticam, mas, para mim, a terapia da realidade é o seguinte:
Quando deixas de viver no País das Maravilhas e deixas de ser uma Alice; quando tiras os teus óculos de sol com lentes cor de rosa e passas a usar uns óculos de ver, com lentes de dioptria “x” = muita. Sim, é o choque. Acho que esta também se pode chamar “terapia de choque”. 
 
Adequa-se.
 

 

É aquilo que os teus amigos-amigos, que querem o teu bem, te dizem acerca de algo. Dizem-te a verdade. A realidade. Tal como ela é, e não como tu queres que ela seja.

 

De repente, deparas-te com ela. Não sabes bem o que fazer, como reagir. Mas incomoda. Dói. “Não, não pode ser”, pensas tu. Mas é. É ela, a realidade, a dizer-te: “Olá, estou aqui, e sou a tua”.

Cais em ti. Tens dois caminhos: ou lidas e aceitas; ou não.

 

Eu já aprendi que (não lidar + não aceitar) = “esquecer” implica estares sempre sujeito a que essa realidade “esquecida” surja, inesperada, no futuro, por quantas vezes tiver de voltar a surgir. 

 

Over and overagain

 

Viró disco e tocó mesmo”.

 

Tenham dó. Andar traumatizada? Tenho lá eu tempo para isso! Nem quero!

 

Então, o caminho que resta é enfrentá-la de frente e resolvê-la.

 

Quando o tema é o Amor… Preparem-se, porque esta é uma batalha onde há sempre alguém que ganha e há sempre alguém que perde. E não me venham com teorias da autoestima, estilo Gustavo Santos, que isso só me faz pior. É que nem tentem. E também não me venham com as tretas do costume: ah e tal “ele é que perde!”, ah e tal “estás melhor sem ele”, ah e tal “ele vai-se arrepender e perceber o que perdeu”. 

 

Não, eu não gosto de areia nos meus olhos. Prefiro dar o meu peito à facada, do que autocomiserar-me com desculpas patéticas.

 

Não. Não quero desculpas, nem palmadinhas nas costas, quero lidar com a dor. Agora cá merdas

 

Não! Ele não me quer, foda-se! Eu quero-o e muito, e o gajo está-se a cagar para mim!

 

(1º passo da terapia: conseguido com sucesso)

 

E agora?

 

Agora… Agora sofre (que remédio!…). Mas sofre com assertividade. Chora, chora muito e audivelmente, esperneia, tem insónias, fica sem comer, fuma cigarros, toma calmantes, anda deprê, não tenhas cabeça para nada. Sofre.

Também não vale a pena virem com o “não chores, não fiques assim”, porque eu tenho todo o direito de estar assim. 

 

Estou mal! Posso? Estou na merda, pode ser?!

 

Vejam lá, se tenho andar sempre feliz da vida, aos pulos! A vida também tem “baixos”, não é? Então, deixem-me curtir o meu luto. Em paz. OK?

 

Isto de sofrer tem muito que se lhe diga. Há que sofrer com convicção. Tens de aceitar e sofrer, porra! Também faz parte!

Por isso, eu cá, quando levo uma terapia da realidade, sofro, ponto, sem merdas.

Isto tem muito que se lhe diga… ah, se tem. É preciso saber sofrer. E não é para quem quer; é para quem sabe. Eu cá, sei.

 

O bom, é que depois disto tudo, ultrapassaste. Resolveste. Efectivamente esqueceste. E não, não tem volta a dar. Quando se sofre como deve de ser, ultrapassa-se como deve de ser. 

 

Ficamos livres para sempre. Sim, é possível. Eu cá sei.

(Terapia da realidade: conseguida com sucesso!)

 

Bem hajam, todos. E um resto de bom dia.

 

Catarina Vilar de Moura

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