Sir Nicolau DeBicho

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Vindo de terras nortenhas no pico do Inverno passado, com cerca de um mês, e embrulhado em amor e ternura pela Mãe dos seus dois progenitores, foi-me entregue entre soluços e abraços que ecoavam “até já”. O persa chinchila que se auto-proclamou barão desta humilde mansão. De pose altiva e efeminada, é frequente vê-lo seduzir os canídeos com que partilha o espaço e o crescimento. Preguiçoso e caprichoso, só se lembra de nos acarinhar quando as pálpebras se começam a cerrar, num ronronar petulante de quem exige essa atenção. Porque será sempre quando ele quer, e nunca o inverso. Jamais afiou as unhas a quem quer que fosse, toma banho com elegância e serenidade e gosta de passar a noite fora no pátio, com uma rebeldia incontrariável. O seu toque é sedoso e calmante e o seu miar o de uma criança manipuladora que sabe como usar a sua fofura em prol da sua conveniência. É idolatrado pelos restantes moradores animais de burgo e jamais se fica sem uma provocação sensual por onde quer que passe.

No final de contas, os gatos vieram à terra para dominar o mundo e como se diz naquele filme bonito, ainda pode ser que eu te reencontre noutra vida quando ambos formos gatos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Um texto deveras engraçado num sentido, triste noutro mas de onde se tira muito amor.
    🙂
    Adorei as palavras, cada uma. Ponto por ponto…
    Nem toda a gente coloca tanto amor em cada palavra como neste texto.

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