Pessoa

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“I know not what tomorrow will bring

Efeméride alucinada de alguém que tomou para lá do presente a voz clara de Pessoa, 80 anos da sua morte, oblige sublinhar.

Impera ler Pessoa, como se o sol só fosse vosso, pois a candura de Portugal não pode ficar à mercê da livraria de Hipermercado.

Do mar dos sargaços existe um desassossego que nos exila de todos os sentidos, a adição pela sua obra coloca-nos em posição de destaque para um lugar ao sol.

A memoria deturpa, a sociedade desclassifica e o Português está pelas horas da morte, pegajoso, de “K”. 

Que maltratamos o nosso é um tormento declarado, o provincianismo de agarrar o incerto pelo certo, a busca de ser cool para não acertar na divina providência… biltres que distribuem porcaria aos nossos olhos, para a elite pornográfica ficar com os despojos.

Está espalhado por aí, na Feira da Ladra, entre os tarecos e as faianças, apregoa-se Pessoa por menos de 5 euros, o preço de uma média no Lux e um pulo para a alcofa com o vocábulo certeiro.

Que se peça condicional, entre uns tragos e um pranto, que se anuncie que o País está desperto, que o João Soares é um erro, escorreguemos da cama e contemplemos. É bom, na taberna ou na casa de chá, o conhecimento literário é orgasmo sereno e Pessoa é o cigarro no final da comunhão. 

Tentem, não dói, se não for do agrado, podem voltar ao Chagas de Freitas.

Don Filipe Tiburcio

 

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