Péssimo

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Há os que se pousam na berma do cenário, com a ambiguidade do olhar pousada numa beata que se queima veloz. A porta manifesta-se de forma intermitente e as tecnologias sorvem a atenção dos que me rodeiam. Relembro os momentos em que pegámos nos canídeos e dançámos com eles, elaborando uma falácia que na altura poderia muito bem personificar o meu sentido de ser feliz. Hoje passeei-me convenientemente pelos sítios que devia, com um cabelo que não lembra ao diabo, fruto de aceder ao pedido de uma amiga que decidiu pintar os seus sonhos na minha matéria capilar. A música urge e a rusticidade parece-me quase aceitável nesta vida que abracei, consciente da minha falta de ambição. Às vezes sobro-me, outra tantas não percebo ao que me dou. Estou no limiar do excesso e em cada regresso prometo-me que vou deixar-me de viver desta forma. Porque posso e sei ser capaz de toda e qualquer adaptação a diferentes esferas sociais. Perdoo combatentes que se ficaram aquém da primeira batalha, beijo ídolos que me desprezam de forma dissimulada, acaricio pedras anciãs que me ajudaram a subir na escadaria, ridicularizo-me perante dementes que muito aquém ficam da minha sapiência, abraço sem rancor.
Sou eu.
E amo.
Tudo o que acho péssimo.
Eu sou parte disso.
Tudo.
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