Orlando

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Homofobia, uma doença intelectual

 Orlando tem-me ecoado de forma espinhosa nos ouvidos nos últimos dias… No dia 12 de Junho de 2016 a maldade ganhou contornos vis, ferindo todos os princípios ancorados na dignidade da pessoa humana.
 

Não consigo ficar indiferente perante tanta crueldade. O que mais me indigna é a ignorância em que estas mentes estão impregnadas, enraizadas em preconceitos profundos postulados pelas suas próprias verdades cinosadas. Não somos nada nem ninguém para impor seja o que for. Cada um é feliz à sua maneira e ninguém tem nada a ver com isso. Quem somos nós para nos colocarmos numa poltrona de moralismo e apontarmos o dedo acerca das orientações dos outros? Esta plástica altivez revolta-me e consegue provocar-me fortes sismos interiores com a fricção de placas moralistas com pudicismos baratos. Olho à minha volta, tenho uma órbita de pessoas maravilhosas, pessoas felizes, pessoas de bem com a vida e com elas próprias, pessoas com quem aprendo todos os dias. Depois também tenho outras que emanam infelicidade, com reboques de complexos que as atropelam, telhados de vidro que apenas de um pássaro pousar já os fazia estalar, sorrisos postiçoscom dentes prepotentes… e no entanto são as mais moralistas, que mais segregam nos corredores “Sabia que….”. A infelicidade é enferma e tem metástases. Só ela pode levar a atos como estes, de mãos dadas com a dúvida, rancor e sentimentos herméticos que percorrem caminhos circulares. Mentes que padecem de compreensão. A intolerância respira através do nariz do medo. As pessoas têm pavor dos seus próprios sentimentos, daquilo que sentem, medo do desconhecido e isso leva-as a odiar só por não saberem ler em braile o que é diferente delas. Eu acho que essas pessoas se odeiam a elas próprias e que são infelizes, pois para mim é o maior acto de descriminação, o ódio pessoal, visceral nas nossas entranhas. Todas essas montanhas de preconceito lavradas por pessoas que se consideram superiores só porque amam alguém de sexo diferente para mim são os descriminados, pois quem mais poderia serCalcam os degraus da inferioridade pela sua arrogância. Não existe aqui nenhuma heresia, nenhum pecado, nenhuma diferença. E o problema é que a descriminação passa de gerações em gerações, através de piadas, olhares ignorantes que se cruzam na imbecilidade alimentando a ignorância, através de brincadeiras parvas. E assim se magoam pessoas, se ridiculariza, se ofende, inferioriza. Uma incubadora infértil de ódio sem sentido, com argumentos enfezados, envolvidos num ambiente fétido, com postulados mirrados pela falta de amor. Um ódio oco que mata

Homofobia não é liberdade de expressão. Homofobia é estupidez. Homofobia é ignorância. Homofobia é crueldade. Homofobia é violência. Homofobia é crime.

Isto sim é liberdade de expressão…. e como diria Umberto Ecoamor é mais sábio que a sabedoria, e eu acredito na sua força e sabedoria, sei que irá prevalecer e curar toda esta perversidade humana!

 

Regina Azevedo Pinto 

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