One night in Prague

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O imprevisto não costuma rondar deliberadamente o meu quotidiano, não fosse eu um ser absolutamente castrador no que toca a fugir às minhas rotinas, já por si só pouco típicas. Gosto de manter uma certa normalidade nos trajectos, já que tudo se pauta por um surrealismo tantas vezes impossível de combater, mas desta feita, foi o acaso que me seduziu e que me proporcionou a mais bonita experiência desta viagem. 

Vim com o intuito de visitar Berlin e Munich, mas eis que a meio do trajecto me foi posta a possibilidade de fazer um desvio e ir até Praga, na Repúlica Checa. Preocupou-me o facto de não estar ao volante e de condicionar a condutora a mais uma bela porção de tempo na estrada, mas não resisti a dizer que sim. E ainda bem que o fiz. 

Praga foi sem dúvida a cidade mais encantadora onde estive, além da minha Lisboa, em toda a minha vida. Fiquei com a sensação rara de que poderia viver e ser feliz aqui. Da arquitectura gótica à extrema identidade dos espaços, senti que poderia estar mesmo ao lado de Hogwarts. Não sei descrever o fascínio que senti quando de repente comecei a olhar em meu redor. Tudo talhado ao pormenor como se estivéssemos num filme. Como se Sintra se tivesse tornado numa grande metrópole. Relembrei que poderia ter sido um Drácula feliz caso o universo vampírico existisse numa realidade presente. 





As lojas de brindes eram profundamente acolhedoras e pelo caminho lamentei a falta de tempo para visitar o Museu da Tortura. Tudo de uma limpeza e cor abismal, com um forte contraste entre o exterior e o interior dos espaços onde a contemporaneidade se fazia sentir de uma forma muito particular. Vários corners que pareciam saídos de um filme do Tarantino onde asiáticas faziam massagens ao preço da chuva. 




Por fim, decidimos visitar uma casa de Absinto, visto que é uma bebida particularmente apreciada por aqui, dada a sua proibição nos países circundantes. Os locais eram identificados na rua por molduras verdes e luzes pronunciadas da mesma cor. Como se fossem casas Slytherin, estão a ver? 



O espaço era encantador e as funcionárias de uma simpatia atípica. É tão mais fácil falar com estranhos quando somos turistas. Pedi dois shots que acabei por repetir, embora só tenha sido acompanhado no primeiro. O açúcar era derretido de forma a transformar-se em caramelo quente e o absinto era adicionado no final. Aguentei-me à bronca e fui feliz. Tão feliz. 



Fotografias: Darko e Hugo Santos 

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