Oh, MUSicA

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Sábado à noite, a convite de um amigo fui a um concerto maravilhoso de jazz, o qual tenho de agradecer a oportunidade únicaDurante o concerto, onde as pessoas limpam os ouvidos de todo o ruído que nos contorna, sem querer e sem qualquer marcação, fiz uma recessão acompanhada por um saxofone proeminente que conduziu gentilmente o meu processo. A música leva-nos aos nossos recantos mais escondidos, uma curva que achávamos que não existia, espaços que nós pensávamos que não cabiam ali. E lá estão eles…. Iluminados por uma luz invisível à sombra de uma melodia que foi passando e desabrochando. Chegamos à conclusão que somos uma casa que não acaba. Aprendemos coisas sozinhos por processos verdadeiramente endógenos. Parte de nós somos a nossa própria matéria-prima que se desdobra e transforma, aqui aumentamos a nossa própria descoberta. Ficamos maiores. Tudo isto de forma concertada, sentados numa cadeira, focamos o palco e a alma descola sem destino. É isto que sinto quando os meus sentidos são afagados por música que nos ama sem nos tocar. A música é a linguagem do intangível, dos espíritos, da liberdade. Sinto que me ligo por um cordão umbilical à nossa génese, como se fosse uma tomada que sai do umbigo e nos liga a um mundo de fascínio, onde a linguagem é básica e universal, fala-se por gestos musicais, por sentimentos, aterramos no primário. Esqueçam o corpo, esse continua ali sentado em hipnose. Foram as nossas 21 gramas que saíram todas catitas sem sapatos e sem roupa para uma viagem onde se querem perder e dançar até às tantas….Damos-lhe ordem de soltura e nunca voltam iguais. É um problema. Quando voltam há um exercício de ajuste ao corpo, vêm sempre com novas configurações. A música é isso. Viagens que nos engradecem e nos atropelam também. Oferecem numa bandeja toda a possibilidade de nós satisfazermos as nossas paixões e loucuras….Escrevemos o nosso hino, marchamos em cima de canhões onde as balas são estrofes e melodias, na música ouve-se a voz, uma voz que marcha ao sabor de um mundo que não acaba com a nossa miopia… mas sim num mundo onde impera o verbo do futuro, a música é esperança do espirito!
 
Regina Azevedo Pinto 
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