OFF – um amor reduzido à arte

1

Caríssimos companheiros de viagem

Primeiramente, quero agradecer-vos o facto de me permitirem fazer o que mais gosto há quase 15 anos. Tem sido uma viagem intensa, pautada pelo instinto e pela audácia.

Muitos não se lembrarão que durante a adolescência estive à frente de um projecto que marcou uma década da música portuguesa com 5 primeiros lugares, mais de 200 concertos e palcos tão ambiciosos como o Vilar de Mouros ou o Rock in Rio. Desde o primeiro ao último single dos Fingertips, estive sentado no limiar de uma ribalta aterradora e intensa. Recordo as multidões que me aplaudiram com carinho, as horas posteriores aos concertos nas quais recebi milhares de beijos e abraços e também toda a atenção que me fora dispensada.

Chegou a altura em que percebi que já não era uma criança a viver um sonho de forma descontrolada mas um adulto que precisava de se recordar porque escolhera dedicar a sua vida à música. Testei-me e exigi-me conseguir chegar aos demais de outras formas que não comprometessem o meu bem estar interior. Quis experimentar outros caminhos e acima de tudo correr o risco de tomar decisões.

No primeiro álbum de Darko lancei-me no aberto e tentei concretizar as mil e uma melodias que vinha a acumular nas minhas gavetas. Gravei o disco que quis e tive a oportunidade de trabalhar com músicos incríveis que me ajudaram a materializar essas viagens. O Define Joy deu o ponto de partida, o Para nunca mais marcou a minha estreia em português ao lado de uma das pessoas que mais querida me é, a Sandra Celas, e o Until the morning comes veio encerrar um ciclo até então desconhecido mas que me retornara ao ponto em que me sinto confortável a fazer música: o da verdade.

Quatro anos depois surgiu o Overexpression. Um disco que já estava estruturado desde 2014 e que por força dos timings da editora se atrasou no seu lançamento até ao ano que passou. Trabalhei com artistas que me encantam como as veteranas Mafalda Arnauth ou a americana Leah Andreone, e dei voz a estrelas emergentes que me enchem a alma como a Iolanda Costa ou a Filipa Azevedo. Lancei o Crying Out e o Não me digas, percebendo que tenho o mundo por fazer e que há tantas coisas que ainda espero cantar.

Depois de duas experiências televisivas tão marcantes como A tua cara não me é estranha e o programa Alta definição, senti que devia aproveitar o embalo e mostrar o que pretendo fazer a seguir.

Lancei o Março com um poema da autoria de Pedro Chagas Freitas e o Junho com a participação da jovem Bárbara Branco, que conhecera no primeiro programa atrás mencionado.

De repente dei por mim a pensar que este disco tem que corresponder a tudo o que dele espero e esperam. A pressão que me faço não é nem de longe nem de perto menor que a vossa e de repente concluí que para seguirmos a direcção certa é preciso parar e pensar. Arquitectar e estruturar.

Gostava muito que o OFF já estivesse nas nossas mãos como está na minha cabeça, mas seria imprudente da minha parte fazê-lo quando acredito que ainda há tanto por refinar. Será o meu primeiro disco integralmente em português, será acompanhado pelo meu segundo livro, depois do Inquietude, lançado em 2009, e contará com a participação de artistas muito especiais, no meu entender.

Durante estes últimos meses precisei de tirar tempo para viver, para perceber o que espero dos 30, da música e da vida adulta. Precisei de me recolher em família, de me recompor da contemporaneidade e de me rodear de pessoas que me façam acreditar que tudo vale a pena. Amadureci e percebi que estar quieto é melhor que fazer a estrada de forma prematura. Há que aguardar que os astros se posicionem para que uma obra tão querida caia em graça da forma que merece. Perdi o meu pai, mudei de casa, acabei uma relação que não sarou as feridas da anterior e dei pelo passar do tempo de uma maneira que até então não tinha acontecido.

Por esse motivo, achei que vos devia dizer que não parei, mas que precisei de mais tempo para que tudo fique como me exijo. Ainda este ano vos será dado a conhecer mais um capítulo da história, mas o resultado final só chegará às vossas mãos no ano que vem. Quando fizer sentido que aconteça e quando estiver como sempre o sonhei.

Na esperança de vos alegrar, partilho convosco a setlist do projecto, na esperança de que saibam esperá-lo com o mesmo amor e carinho que lhe tenho.

Off

– intro – Tudo o que eu sempre quis
Janeiro
Fevereiro
Março c/ letra de Pedro Chagas Freitas
Abril
Maio feat. José Cid
Junho fear. Bárbara Branco
Julho
Agosto c/ música e letra de Luísa Sobral
Setembro
Outubro feat. Sandra Pereira
Novembro
Dezembro feat. Leigh Nash (Sixpence none the richer)

Bónus Track: Ontem morreu

Esperem por novidades em breve e mantenham-se por perto. O melhor ainda está para vir. Para mim e para vocês.

Confiem.

1 COMENTÁRIO

  1. Confio e acredito em ti e nas tuas capacidades, gosto das parcerias. Felicidades. Coragem lindo a estrada e longa, mas sei que saberás a percorrer e passar essas pontes que tu desejas. Em mim terás uma amiga para sempre, que te apoiará e te dará sempre uma palavra amiga, não sei escolhe-las bem como tu, mas vêm do coração. Beijinho grande, Zé Bicho da Cristina Vieira

DEIXE UMA RESPOSTA