O Adeus faz-nos pensar

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João Nicolau de Melo Breyner Lopes fazia parte de um número de pessoas brilhantes, um homem ilustre, um talentoso ator, um realizador visionário, constituindo a sua morte uma grande perda para nós.

 

Era um homem vocacionado para a arte, na sua mais lata aceção, portador de um espírito desmedido, nasceu em Serpa a 30 de Julho de 1940, tendo-se mudado para Lisboa onde deu início ao seu percurso profissional. Estudou canto integrando o coro da Juventude Musical Portuguesa, enquanto estudava no Liceu Camões. Posteriormente ingressou na Faculdade de Direito, mas, a sua vocação rapidamente resvalou para o Conservatório Nacional onde fez o primeiro no curso de Canto, tendo-se espraiado para o Teatro.

 

A sua estreia como ator teve lugar enquanto frequentava o Conservatório, sob a direção de Ribeirinho entrando na peça Leonor Telles, de Marcelino Mesquita. Foi contudo através de papéis cómicos, juntamente com Laura Alves que assumiu grande projecção, tendo brilhado entre os melhores atores da sua geração. Após o 25 de abril de 1974 concebeu o seu primeiro programa televisivo, Nicolau no País das Maravilhas, tendo nascido aqui a sua rábula, espelho da sua alma, Senhor feliz e Senhor Contente, tendo ficado documentado a preto e branco muito do seu percurso.

 

Com uma capacidade multidisciplinar e eclética surge na década de 80 como ator e, simultaneamente, diretor de atores e co-autor do guião da primeira novela portuguesa, Vila Faia (1982) deixando uma marca intensa na televisão portuguesa.Um verdadeiro one man show que,concomitantemente com a representação, concebeu tantas horas do nosso entretenimento.

Faleceu no dia 14 de Março de 2016, aos 75 anos de idade.

 

Porque as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas e, atendendo às suas qualidades humanas, generosidade admirável, talento incontornável, não poderia ficar indiferente perante tal colossal perda. Assim levou-me o impulso a uma homenagem a um português notório no seu âmago, que engradeceu o país, os seus palcos e aferiu robustez à cultura, eivando-a de inovação, merecendo o epíteto de personagem principal do visionarismo televisivo e cinematográfico, fazendo assim romper uma alva inexorável em Portugal.

 

Regina Azevedo Pinto 

 

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