Lorololelole – Gala IX 

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Hoje o dia começou cedo mas na melhor companhia. A minha querida amiga Diana Monteiro regressou ao programa para poder mostrar o que tantos desconhecem e eu estou cheio de saber: que é um portento de mulher. Bonita, com carisma e acima de tudo o essencial: talento.

A Diana foi a primeira pessoa a quem liguei para dizer que tinha aceite ingressar nesta aventura. Ninguém melhor do que alguém que já pisara este palco para me elucidar sobre a alhada em que estaria prestes a meter-me. Eu a Diana temos uma postura semelhante em relação à forma como encaramos o trabalho sob as luzes da ribalta e em como gerimos uma timidez que tantas vezes é tido como arrogância ou falta de humildade. É tramado termos que provar constantemente a nossa índole perante quem só nos vê neste contexto. Fomos de mãos dadas pelo caminho e sorrimos com a cumplicidade de quem sabe que é destas provas de fogo que se faz a vida de um artista. 

A alavanca do mal resolveu atribuir-me Shakira, a bomba colombiana de voz gutular. Rezei a todos os anjinhos para que não me calhasse um tema em que tivesse que mostrar a barriga e fazer belly dances que me são alheios. Tenho o requebrar de um tractor e poderia não ser agradável de ver. 

Para a entrevista resolvi vestir Eduardo Amorim, num destes fatos que aliam o clássico ao contemporâneo de forma simples e eficaz. 

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Fato: Eduardo Amorim

Sapatos: Eureka 

Durante o dia pensei no irónico que seria recriar uma voz destas, que tão facilmente escorrega para a caricatura e que tantas vezes foi alvo de brincadeira na minha esfera pessoal. A Shakira tem um timbre inigualável que, ou se ama ou se odeia, e faz dela uma artista de uma singularidade inquestionável. É dessa rareza que se faz obra e se criam públicos pelo mundo inteiro. Lá isso, ela tem. 

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O ensaio decorreu de forma sucedânea e com boa disposição. Eu e a Diana partilhamos o mesmo manager e foi engraçado ter o Miguel Raposo, na sua habitual serenidade, a contemplar-nos com este visual exagerado e exótico a tentar soltar a Sheila que há em nós. O surrealismo inerente aos dias neste estúdio conferem toda a graça à experiência que atravessamos e decerto não iremos olvidar. 

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Na sala de caracterização a introspectiva e fechada Luzia estabelecera pela primeira vez comigo uma comunicação mais próxima e terna, ao confidenciar-me que me achava muito bonito. Não tenho grande jeito para receber elogios e tão pouco esperava este de alguém que tão raramente se exprime neste registo. Ela é calada e carrega no olhar o peso da vida. Neste momento senti calor e orgulho por ter chegado à pessoa por detrás da capa. Conversámos timidamente e percebemos que todo o gelo se derrete algures no tempo. De seguida fui colocar a peruca com o Cortez e a conversa descambou para o habitual humor vernáculo que tão bem nos caracteriza. Confienciei que pela primeira vez na vida percebera o que a minha irmã havia dito sobre ficar parecido com a nossa Mãe quando caracterizado para ser uma mulher. 

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O meu Nemesis do sono, Jorge Mourato, que nos presenteou com uns The Cure comoventes, não resistiu a apanhar-me novamente no lado de lá. O Jorge é meu vizinho e certamente ficará para a minha vida futura. É um homem bem humorado mas sensível, inteligente e pacato. Culto e apaziguador. Todos gostamos dele. E podemos gostar de todos. Mas o Jorge cativa-me a admiração além da estima.

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Pelos corredores a Melania espalhava a sua habitual leveza com um Psy perturbador que originou diversos momentos caricatos. Tenho cá para mim que entre ela e o Zeca há um capítulo mal explicado. Tirem as vossas conclusões.

A Maria ensaiava com o seu rigor natural e confessava-me que tinha saudades de cantar à sua maneira e que admirava por demais a cantora Adele para se lhe tentar igualar. A Maria é rigorosa mas despretensiosa e é alguém com quem é fácil trabalhar. Decidimos chamar-nos Abellia e Darkira. 

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A Marta ganhou a sua gala e fez-me lembrar da minha Marisa Liz e no quão óbvio se torna que ambos cantámos francamente melhor depois de saber que ganhámos do que enquanto prestámos prova. Os nervos e o cansaço podem impedir-nos da excelência, mas um voto de confiança pode dar-nos o que falta para sermos sublimes. A imagem que me fica foi a de dançarmos todos em seu redor, felizes por ela, porque é muito fácil amar a Marta. A gala encerrou com chave de ouro com a Diana a dar um baile de classe e sensualidade a todas as aspirantes a Pop star que se cruzam conosco. Há quem tenha e há quem seja. Ela é. Podem perceber até, pelos nossos visuais, que seria perfeitamente possível embarcarmos numa reabertura do Elefante Branco em parceria, com momentos de burlesco e romaria. Não foi a Shakira que fez um dueto com a Rihanna? 

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Do vídeo do costume escusaram-se a aparecer o Psy e a Celine, que ainda estaria a consolar-se com ele após o episódio traumático que vivera com o Manuel Luís durante a travessia no seu baby Titanic. 

Para a semana há mais. 

Até já 

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