Inverno precoce

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Os laços avizinham-se frágeis
E as palavras perderam a imponência 
O coração dissipou bombadas ágeis 
Que justifiquem a nossa existência 
 
Impulsos sucedâneos que calo e examino
Destroços encantadores que preservo sem meta
São vultos momentâneos de afectos à margem de qualquer ensino
E esboços ameaçadores de uma jornada que não se completa
 
É fado e cinzento, é débil e excruciante
Uma transição que sem aviso nos inverteu o intento
Um lado bolorento e febril do teu amante 
Que afoga a canção sem o sorriso que nos comprometeu a dar alento
 
Vergonha do inconseguimento que invadiu os espaços por entre os nossos dedos
É dúvida soberana sobre os alicerces do que parecera eterno
Supunha que cada momento surgiu como consequência dos laços que exterminaram os nossos medos
Nunca esta lívida e espartana mágoa que enalteces previra, anunciando um novo inverno
 
Zé Manel 
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