Frida

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Frida, a Mulher que fazia o luto com flores

Sem dúvida que alguns artistas extravasam a sua fama pela alma que colocam no seu trabalho tornando-se eles próprios a continuação da sua arte. Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, mormente conhecida por Frida Kahlo, foi a mexicana que materializou todas as agruras da alma em arte.

A complexidade da sua obra é de uma profundidade vertiginosa, sendo impossível não se nutrir admiração por esta. Se atentarmos para a sua historia de vida conseguiremos interpretar facilmente o seu desprendimento pela vida. Nascida em 1907 filha de pai alemão e mãe mexicana contraiu poliomielite aos seis anos, o que lhe provocou uma lesão no  direito fazendo-lhe ganhar o sufixo “Frida pata de palo” (Frida perna de pau). Após este infortúnio, que foi apenas o edificar de uma pesada cruz que começou a carregar, optou pelo uso de calças e saias longas estampadas, transformando assim as suas deficiências em estiloAos 18 anos, sofreu um acidente gravíssimo quando estava dentro do elétrico tendo atravessando para-choque a cintura pélvica deixando-apairar entre a vida e a morte. Aqui se estabelece um marco na vida de Frida, tendo-se consubstanciado este acontecimento num catalisador do bréu que cobre toda a sua obra.

A fechar esta constelação de azares na vida de Frida, Diego Rivera, pintor mexicano e seu companheiro, entra em cena, como escrevia ela no seu diário “Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o elétrico e tu. Tu sem dúvida foi o pior deles.” Todo este percurso foi marcado pela densidade da paixão e, das desavenças. Partilhavam ambos a militância no partido comunista, amor pela  arte epor terceiras pessoas, escolhendo assim viver com intensidade um amor cheio de defeitos e, ramificado.

Autora de quadros eternos  como As duas Fridas, 1939, pinta-se como uma mulher dividida pela dor dilacerante do corpo e da instabilidade dos seus relacionamentos, mas que, ao mesmo tempo transborda esperança e fé. Henry Ford Hospital, 1932,  quadro onde espelha a dor que advém de um dos três abortos que teve eColuna Partida,1944, pinta a sua própria realidade, tal como dizia esta “Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade buscando assim inspiração nas suas angústias, sendo o combustível deste catalisador a dor, sentimento que sempre foi a sua sombra, vendo assim a beleza nas tragédias irremediáveis da sua vida.

Desde de ser capa da revista Vogue em 2012,  de ter tido um romance secreto com Leon Trotsky ao seu estilo floreado, Frida é um ícone ímpar transversal a vários tipos de arte. Teve uma vida que faria muitas mulheres se vestirem de luto mas,ela preferiu vestir-se de flores, daí a sua última frase para o mundo ser tão marcante Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais”. Um bilhete de ida apenas, deixando na “volta” um espólio artístico que irá sempre “assombrar” a arte fazendo com que esta se supere diariamente para competir com tal herança, dando origem a ciclos intermináveis de inspiração!

 

Regina Azevedo Pinto 

 

 

 

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