Caldeirão

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Há um caldeirão onde no meu todo me diluo e borbulho, transbordando-me por mais ocasiões do que me permito, condenando-me a um constante processo de contenção, maioritariamente falhado. Não encontro silêncio por entre as sinapses nem reconheço o meu centro nos intervalos da minha rotina. Há conforto no orgulho de conseguir palmilhar cada kilómetro quando a hidratação emocional e intelectual se escasseia mas também sede de libertação e condução das rédeas de uma estrada que nem sempre colori da forma pretendida. Impludo cronicamente e pergunto-me a real importância de todos os destinos que a minha diligência tenta agraciar. Há saturação e desencanto e cansaço e persistência. O paradigma já não se prende com a luz ao fundo do túnel mas com a mestria que devemos dominar num escuro que não se delimita. A minha voz agiganta-se, furiosa e os argumentos já não se importam com a sua sustentabilidade. Na realidade, nada é realmente essencial quando nos sentimos pouco e quando o inconseguimento domina a nossa ânsia de dobrar todo e qualquer desafio que se atira aos nossos pés para que o acolhamos e transfiguremos. Os dias são feitos de soluções disfarçadas de problemas e problemas que se insinuam soluções. Nós balançamos e tropeçamos e caímos e levantamos, tantas vezes na esperança de que a próxima queda seja pretexto para que no chão permaneçamos de gargalhar perene com a premissa de que não mais queremos saber. O esforço redobra e o resultado mantém-se imóvel como um ponteiro estragado que nos atormenta e domina e revolve e assassina. Queremos viver com a inocência de quem ainda não se magoou sabendo que o tempo não trás a criança que já maturou. O âmago sucede a questão que tantas vezes nos colocamos sobre a validade do que nos justifica tão veloz corrida. Cessei a busca por respostas quando o meu medo é maior que o valor de as deter. Há dias que não quero crer nem tão somente ouvir. Há noites que destoam do saber que há vida por cumprir.
Há um caldeirão onde no meu todo me diluo e borbulho que já não me alimenta ou estimula, seja fome ou seja gula.
By Darko
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1 COMENTÁRIO

  1. Cair faz parte da vida, o importante e saber sorrir perante as dificuldades, saber levantar mesmo sozinho e continuar a lutar, nunca nos deixarmos cair na escuridão, quando a escuridão quer entrar no pensamento, devemos fechar-lhe a porta e procurar a luz e continuar com o pensamento positivo e com uma nova esperança.Dias não são dias, não é o que tens escrito numa tatuagem, pois pensa sempre assim, todos os dias o sol nasce e com ele um novo dia, uma nova esperança, talvez um novo sonho ou alguém para o partilhar. A vida encarrega-se por cumprir, quem espera sempre alcança, nunca desistas de ti e de quem te ama, só devemos de amar quem nos ama. Podemos gostar ou ajudar outros e fazer o bem e isso faz-nos bem a alma, tu sabes o fazer bem através dos teus apoios solidários e através das tuas musicas, com esperança e sempre o mesmo amor e dedicação. Coloca o caldeirão ao lume que a felicidade está para chegar e tu até sabes cozinhar. Beijinho desta que te admira e respeita e quer te ver feliz, pois tu mereces.

    Beijinho
    Cristina Vieira
    para o grande ser humano que és Zé Bicho

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