A singularidade das vozes é o que as torna únicas – Gala VIII

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Mais uma voltinha, mais uma viagem e o dia começa-se cedo pelos lados da Venda do Pinheiro. O ambiente é de correria e gargalhada. Hoje sinto-me expectante por poder interpretar um dos grandes clássicos da minha vida. Dos diversos desafios que me têm calhado, recriei uma série de artistas pop contemporâneos e há em mim a necessidade de me desafiar cada vez mais. Gostava eu de cantar um fado ou um tema rock. Já que é para ir para fora de pé, ao menos que me afunde até onde conseguir respirar.

Pela manhã experimentei o inquestionável smoking preto que confere a todo e qualquer homem a condição de cavalheiro. Frank Sinatra é um exemplo perfeito disso. Mais do que cantar, existe a necessidade de interpretar, dar verdade às palavras que entoamos e de frasear de uma forma intensa e concisa. 

Hoje a Carolina estaria a estrear a sua peça como Bela, no clássico a Bela e o Mostro (confesso que estou em pulgas para ver o filme que em breve se estreia com Emma Watson no mesmo papel), e portanto não nos poderia presentear com o seu essencial sentido de humor. Todos fazem cá muita falta e a ausência de qualquer um se sente tremendamente. Lembro-me de coscuvilhar o Instagram da dita colega no dia em questão e de me emocionar com uma legenda que escrevera:

“Hoje vou ser pela primeira vez na vida princesa…”

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Meu amor, para nós, és todos os dias uma princesa. Hoje em dia, não é preciso usar-se saia rodada ou salto alto para se ser uma princesa e a Bela era uma rebelde como tu, se bem te lembras. De todos a maior sorte para esta outra aventura. Vês como és uma mulher de aventuras? Duas de uma só vez. Como aguentas tu? 

Para a entrevista decidi vestir um dos estilistas que me acompanha ao longo da minha carreira – Júlio Torcato – uma semana após ter usado criações da sua filha mais nova que também se inicia agora no ramo da moda. Obrigado por se manterem por perto e continuarem a acreditar nos vossos sonhos. 

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Gola alta – Júlio Torcato 

Jumpsuit – Júlio Torcato

Botins – Zara

Pelos corredores encontro a Melania, feliz por finalmente lhe ser atribuído um desafio onde não precisa de se escudar em coreografias e gestos sensuais para fazer uma actuação digna e que chegue aos demais. Fiquei feliz por ela. A Melania é um ser humano muito engraçado e disponível, que sabe brincar consigo e que se esforça para sair da sua zona de conforto para estar à altura do desafio. É isso que todos temos feito e deixa-me feliz que de facto exista este espírito de entreajuda entre todos. Esse é o maior tesouro que daqui levamos. 

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Reparem bem na loucura que é o Darko, jovem português criado em Viseu e sediado em Lisboa de há 10 anos para cá a interpretar alguém que foi mundialmente considerado A Voz? Ou Sérgio Rossi, cantor popular português a dar corpo a Pavarotti, um dos maiores tenores de todos os tempos? Ou Marta Andrino, um perfeito exemplar do que é uma princesa, com um pedigree e uma educação fora de série, a transfigurar-se na bomba latina da Bronx, Jennifer Lopez? 

Vocês não imaginam o quão pequenos nos sentimos por saber que dentro das ferramentas que temos, o objectivo é homenagear de forma digna estes artistas cuja dimensão vai marcar toda a história da música. Gostos à parte, o meu aplauso vai para a nossa coragem e para a nossa falta de medo de falhar, expondo-nos sem reservas para criar um bom momento de entretenimento para todos os que nos vêem em casa. 

Durante a caracterização fui tremendamente mimado pela querida Lília que me enternece sempre com as suas palavras. Guardo sempre na memória a forma tímida e serena com que no seu sotaque estrangeiro me diz “Porque é que tu és tão perfeitinho?” 

Nota-se bem que me conhece mal. É deste amor e partilha que se suportam as horas intensivas de trabalho nestes estúdio e isso dá-nos sempre a sensação de que seremos amparados em qualquer altura de desânimo ou cansaço. A Steiner ficou com o trabalho de me envelhecer o rosto, com técnicas de pencelagem e borrifamento. Confesso que foi espantoso para mim ver-me mais velho. Faz-nos pensar no futuro. Em como seremos e no que seremos. 

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A gala abriu com uma performance divertida de diversas apresentadoras da TVI. Todas num espírito de grande descontração, as meninas trouxeram brilho e animação aos bastidores do programa. Já para não falar que envelheceram francamente melhor que os Excesso. Digo eu. 

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Hoje era-me difícil olhar para a Maria Sampaio. Que caracterização fabulosa. A Maria fez um trabalho excelente e quanto a mim, hoje, foi talvez a gala onde mostrou melhor o seu potencial vocal, além de quaisquer imitações. É muito difícil fazer o que ela ali fez e acho que deverá mesmo rever o seu percurso para que perceba o orgulho que deve ter em si. A Maria confidenciou-me que ainda não viu nenhuma das suas actuações e que não quer ver. Fazes mal. Ias sorrir. 

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A Melania quanto a mim foi absolutamente extraordinária e imprevisível. É uma actriz de mão cheia muito além da brasa tontinha que por vezes recria sem esforço. 

Nós já sabíamos que o Zeca cantava, mas hoje foi a vez dele se colocar na nossa posição e interpretar Seal. Uma voz incontornável e um tema icónico da história do cinema. Foi precisamente este tema que ele cantou há uns anos no extinto Canta por mim da TVI, onde partilhei o palco com a Ana Guiomar e onde conheci a minha querida Sandra Celas que mais tarde convidei para cantar no tema Para nunca mais. Sentámo-nos no lugar do Júri e brincamos aos juizes com o desportivismo do costume. 

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O David Antunes superou-se mais uma vez. Aprecio tremendamente a disponibilidade física de alguns artistas que em tanto difere da minha e a forma como incorporou os movimentos de Jagger foi absolutamente sublime. Um verdadeiro espectáculo ao vivo, acompanhado dos queridos irmãos Antunes que compõem esta simpática família de músicos. 

No final da gala achámos todos por bem premiar o trabalho da Melania. Ao longo deste programa todos temos ganho uma gala e fico feliz por todos poderem experiênciar esse momento. É certo que isso pouco ou nada muda nas nossas vidas mas tem sido uma competição equilibrada e que revela acima de tudo o mérito de cada um de nós que se envolveu nesta escalada de desafios constantes. 

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Por fim, deixo uma mensagem a todos os que vêem e comentam o programa. Não nos podemos levar tão a sério nem incendiar com tão pouco. Nós estamos todos juntos a tentar dar o nosso melhor para criar bons momentos televisivos num programa familiar de sábado à noite e temos tido o maior trabalho para o fazermos o melhor que podemos. Todos temos direito à nossa opinião como também a mudar de canal se não quisermos assistir. Fico triste por perceber a facilidade com que julgamos os outros atrás de um ecrã, questionando constantemente a índole de cada um. Aqui ninguém é levado ao colo, aqui há dias melhores e piores para todos, aqui estamos conscientes de que não estamos a mostrar o que valemos através da nossa arte mas sim a representar e a recirar a de outros artistas, aqui temos todos a humildade necessária para trabalhar incansavelmente para vocês que nos vêem. Aproveitem para se divertir e para aplaudir em vez de recriminar. É por causa desse hábito tão português que existem as agendas preenchidas das Marias Leais da vida. Porque ainda preferimos pagar para gozar e humilhar do que para aplaudir e celebrar. Às vezes, é esta exposição que me faz questionar se serei talhado para a vida de artista. É preciso uma grande dose de equilíbrio e estômago para tolerarmos a forma como os outros se apropriam do direito de equacionar como seremos, no que pensaremos. Vocês conhecem o nosso trabalho e não as nossas vidas ou personalidades no âmbito privado para que possam elaborar certas opiniões, portanto lembrem-se sempre de “não fazerem aos outros o que não gostam que vos façam a vocês.” 

Pensem nisso. 

De nada. 

1 COMENTÁRIO

  1. Que cavalheiro tão dócil… Assegurar na Melania com muito cuidado… A Melania e uma querida…..beijokas para vocês todos da cara não me estranha… São magníficos vocês todos….

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